27 abril, 2004
as contradições do amor próprio
Não sei porquê, esta frase ficou a martelar-me na mente: “Não tens mesmo amor próprio!”. Martela-me, e martela-me e martela-me ainda mais. Extrapolou o contexto e faz-me crescer uma raivazinha cá dentro, uma raivazinha que não sei explicar. Mexeu comigo, pronto!
No contexto próprio, não tem nada que se lhe diga. Obviamente, ninguém me obrigou a nada. Ninguém me ameaçou, ninguém fez chantagem, nem sequer foi preciso pedir muito. Porque embora em consciência eu saiba que não deveria envolver-me em mais nada das associações e das organizações, que está é na hora de acabar o curso e sair daqui para fora, evoluir e passar à frente, a verdade é que adoro!!! Tenho saudades do stress, da pressão de ter carradas de coisas para fazer ao mesmo tempo, de andar a correr para conseguir chegar a todo o lado e conseguir fazer tudo. De fazer parte de uma equipa e de ter um projecto, prazos e objectivos, já que o meu próprio projecto ainda não sei qual é.
E é exactamente por não conseguir definir o meu projecto, que acho que se calhar tenho amor próprio para dar e vender. Porque ele é tanto, que não sei o que fazer com ele sozinha. É demais para mim, já não me cabe e tenho que o partilhar. Tive cinco anos para abrir a mente, alargar horizontes, massajar o ego, ser altruísta, idealista e para sonhar que podia mudar o mundo. Fiz sozinha tudo o que podia fazer sozinha, inclusivamente cultivar o meu amor próprio, que andava um bocadinho por baixo no início da aventura. Mas agora dou comigo encerrada dentro do círculo desse meu amor próprio, que acho que não faz assim tanto sentido se não for partilhado, se não for empregue num projecto comum. Continuo à espera que o círculo se abra e se transforme em dois rumos infinitamente convergentes.
E é esta espera que traz a verdade a esse “Não tens mesmo amor próprio!”. A espera e a crença de que o que tiver que acontecer, acontecerá mais tarde ou mais cedo; a crença de que a pressa é inimiga da perfeição; de que a paciência e a persistência superam a resitência; a ilusão parva de que um dia, de repente, se faça luz, e essa espécie estranha portadora do cromossoma Y se veja subitamente atacada de alguma sensibilidade e intuição.
E o medo inexplicável. O medo de perder, nem que seja a esperança.
catarinia @ 04:48
Não teres amor próprio é não gostares de ti... Não acho que seja isso que se passa contigo. Toda a gente passa por períodos de insegurança, de desorientação. Mas conhecemos-nos há quase mais que uma vida, tenho a certeza que isto te vai fazer crescer. Agora, não gostares de ti? Não acredito!!!
Não és tu que dizes que perdeste o poder de sedução por falta de uso? Recupera-o, Amiguinha!!! Tens uma sensibilidade fora do comum, és das pessoas mais meigas e carinhosas que conheço! Mas não te feches às pessoas, não esperes que te adivinhem... Revela-te! Ou então abre só uma brechinha, deixa que te conquistem. Não achas que tens que ser tu a quebrar o círculo? Depois a vida encarrega-se de endireitar as linhas e de as fazer convergir, porque tu mereces o melhor do mundo.
Linda! Por aqui, e a meio da noite??? Qué que te deu? Ainda por cima pareces eu a falar comigo...
Tens razão, como sempre. Mas é mais complicado q isso, por muito que queira quebrar o círculo ou abrir a brechinha, parece que quando penso sou uma pessoa e quendo ajo sou outra diferente... Até fico danada comigo própria! Bem, mas eu já te ligo, porque se não nunca mais saio daqui. Té já!
vou começar a ter mais cuidado com o que digo....
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