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1 junho, 2004o mundo está de olho em nós: sorride e portai-de-vos bem, ò broncalhada!Ontem recebi uma carta. Há tanto tempo que só recebo contas para pagar, que fiquei contente com uma cartinha. E logo de um ministro, isto não é todos os dias! Diz o Sr. Ministro Adjunto do Primeiro Ministro (com a tutela do Euro 2004) que tudo quanto é jornalista vai cá estar, “um fluxo extraordinário” de estrangeiros vem de visita, e tudo por causa do Euro. Finalmente, o Mundo vai ouvir falar de Portugal, e por isso temos de nos portar bem. “Demonstrar, a quem nos visita, a nossa intrínseca e cordial hospitalidade”, mesmo que nos chateiem muito. Ex.º Sr. Ministro Adjunto do Primeiro Ministro (com a tutela do Euro 2004): sinceramente, senti-me ofendida. Irrita-me este típico provincianismo. Vindo de um Ministro, mais ainda. E então com um tom paternalista, é o poder! Apetece-me responder que não vou ser mansinha; não vou sorrir que nem uma anormal; não vou dizer uma palavra que seja noutra língua qualquer que não a minha – farto-me de viajar e nunca o fizeram por mim; e também não me vou mascarar de minhota, nem de nazarena, nem de galo de Barcelos. Pobres dos visitantes se tiverem de me aturar: prometo estar com o meu pior génio, o que não é nada pouco. Apetece-me imenso responder assim. Asseguro-lhe que não serei simpática porque mo pediu, mas porque acho que o sou por natureza. Mas tive pena, ontem quando recebi a sua cartinha, apeteceu-me ser uma cavalgadura só para contrariar. De qualquer forma, não há-de haver visitante que vá precisar de mim para se sentir contente. Basta-lhes concerteza serem recebidos num Estado que lhes constrói 10 estádios quase em exclusivo, enquanto que para os seus habitantes alguns écrans no meio da rua já não está muito mal, uma vez que não há dinheiro que chegue para ver qualquer jogo ao vivo. Ou em cidades que se forram de cartazes de boas vindas: “Faro welcomes the english team supporters”, num jogo com a selecção portuguesa. Os nossos não, só os “english”. Esses é que precisam de se sentir bem vindos. Não consigo deixar de pensar em Cuba, na República Dominicana e outros paraísos tropicais para turistas, em que os hoteís de luxo e as praias privadas são interditos aos naturais, condenados a partilhar a sua casa com mais 15 familiares, que têm que alimentar com senhas de racionamento. Não sei porquê, mas parece-me encontrar aqui algumas semelhanças. Haja paciência... Vou guardar a cartinha para mostrar aos netos. Uma pérola do ridículo como esta não se consegue muitas vezes. Bem... Quer dizer... Ultimamente até não tem sido muito difícil... Mas espero que quando tiver netos a coisa tenha melhorado. catarinia @ 12:03
Comentários
PAZ, PAO , POVO E LIBERDADE LALALARALALA!!!! Afixado por cassiel @ 9 junho 2004, 23:25 |