Vinicius não tem fim (II)
Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: "A saudade do cotidiano"
catarinia @ 10:27
Vejo q aqui se aprecia poesia.. Passa no meu blog de poesia original. Pode ser q te agrade. Abraço
E um acordo de afectos dilacera
O âmago da piedade esquecida
O acordo taciturno na cratera
De que fiz parte em devida medida;
E as atracções da grave fotosfera,
Propõem dura ausência desmedida
De que sou habitante e não prudente.
Findei-me sobre o círculo que mente.
albertovelasquez.blogspot.com