Universo CatarinianoDiário de Catarinices... Que melhor sítio para esconder um Diário que à vista de todos? | |||
22 setembro, 2004o toque perdido... e reencontradoHá bocado estive a vasculhar uma das minhas caixas atulhadas de papelada “para arrumar noutra altura”, e encontrei um dos meus escritos perdidos. Não me lembro de quando o escrevi... Será que foi antes do Universo? Seja como for, agora que o reli, acho que merece aqui a sua presença, mesmo estando assim um bocadinho... Desarticulado. Ontem à noite, eu e a Rita estivémos a divagar sobre o toque e a ausência de toque. Sobre o que é que o toque pode significar entre duas pessoas. Ela chama-lhe “O Gelo”, e diz que o toque entre duas pessoas quebra “O Gelo” entre elas. Será? Há as pessoas que se tocam, e as pessoas que não se tocam. O toque é uma outra maneira de sentir entre duas pessoas, transmitir sentimentos, demonstrar afectos. De conversar, de ler o outro. No fundo, o toque ou a ausência dele, é capaz de aproximar ou afastar as pessoas. Então o que é que nos levará a tocar em pessoas que nos dizem pouco ou nada, e a evitar tocar em outras mais importantes? É como se houvesse pessoas de toque livre, em quem tocamos de uma forma casual, quase sem reparar; e outras de toque restrito, cujo toque pode ter uma carga emotiva enorme. Longe de quebrar “O Gelo”, neste caso o toque constitui quase que uma barreira, impõe limites, fronteiras de “quase toque”. Para mim, uma “tocadeira” quase compulsiva, é complicado compreender isto. A Rita tem uma teoria de energias engraçadíssima, claro: diz que as energias que fluem entre duas pessoas repelem-se quando têm o mesmo sinal, e é por isso que originam uma resistência ao toque. Eu acho esta teoria demasiado esotérica, mas sou uma resignada: não consegui arranjar uma melhor. E quando isto acontece, se for mesmo importante, há sempre o toque do olhar.
catarinia @ 04:17
Comentários
O tema é giro. mas antes do toque há a próppria distância a que nos colocamos relativamente aos outros. Um árabe e um alemão, por exemplo, têm noções completamente distintas do que é a distância privada. O alemã pode sentir-se ofendido com a proximidade do árabe, quando para este a distância a que se colocou para falar é natural na sua cultura. E o toque... é pá isto é muita coisa pra falar aqui num comment... Bom tema! Passa no tapor. Talvez gostes... Afixado por Lantern @ 2 outubro 2004, 01:10 Hum... Acho que não estava a pensar em árabes e alemães, nem nesse tipo de diferenças culturais. A questão é mais a barreira que por vezes se estabelece entre determinadas pessoas: algumas tocas e beijas e abraças; outras, embora não te sintas mais afastado delas, há a tal resistência estranha que se impõe. Porque é que somos árabes numa altura, e alemães noutra? Mistério... Afixado por catarinia @ 6 outubro 2004, 02:02 |