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28 março, 2005de volta do Portugal profundo![]() Este fim de semana voltei às origens: três gerações de mulheres juntas no berço da família. Fomos “à terra”. Assim que chegámos apercebi-me de que não ía lá há mesmo muito tempo: entretanto a Zebreira descobriu que afinal era Vila, e escreveu-o na placa à entrada. É oficial, estou desactualizada! Quando era miúda houve anos em que passava lá as férias inteiras. Metia-me na camioneta dois ou três dias depois do fim das aulas, e regressava dois ou três dias antes de voltarem a começar. Escrevia aos amigos “de Lisboa” e combinávamos todos fazer o mesmo, sabíamos mais ou menos quando é que chegava toda a gente. E depois claro, estavam sempre lá a Sandra, a Tânia, o Nuno, o Edgar, o Daniel... Formávamos um grupo enorme e tínhamos sempre que fazer. Organizámos as nossas excursões a pé para ir passar o dia à barragem, o mergulhinho da praxe todos vestidos para termos um regresso fresquinho, a paragem religiosa a meio do caminho para beber água na fonte. A rotina do jantar, ir a casa da prima Célia, esperar que ela se empiriquitasse, depois o desfile pela rua principal até casa da Tânia que já estava à porta à nossa espera, e mais um desfile até ao café comer um gelado, esperar que a família voltasse para casa para irmos até à cave ter com o pessoal. Foi lá que aprendi a jogar matraquilhos e que não consegui nem por nada aprender a jogar snooker, apesar de todo o empenho de muita gente. A seguir um passeio pelas ruas à fresquinha, dizer “boa noite” a toda a gente e ouvir as velhotas, sentadas na rua porta sim porta sim, a fazer o relatório dos nossos dias às menos informadas das nossas andanças. Depois rumo ao fantástico Dancing-Bar com o fenomenal nome de “A Patinha de Vaca”, onde o segredo era a alma do negócio e por isso podíamos beber a nossa “mine” e fumar um cigarrinho com toda a segurança, dançar agarradinhos e dar umas beijocas sem que estivéssemos de casamento marcado no dia seguinte. Em Agosto vinham os primos de França e o resto da onda migrante, que animavam ainda mais as coisas. Havendo boleia podíamos até ir às piscinas das Termas de Monfortinho e saltitar pelas festas das redondezas enquanto não chegavam as lá da terra: o Santo Isidro e a Senhora da Piedade com pouco mais de quinze dias de intervalo. Tinham muito pouco de interessante, a não ser a desculpa perfeita para ficarmos na rua até ainda mais tarde. Havia a quermesse e os intermináveis leilões de bugigangas; o franguinho assado com muita cerveja; pipocas, farturas e algodão doce; e o bailarico ao som do “conjunto” a esgoelar-se para por o pessoal a dançar a noite toda, de onde eu fugia de terror por ter dois pés esquerdos; as velhotas acartavam a cadeira da porta de casa até ao recinto da festa, faziam a rodinha em volta do bailarico e lá continuavam a actualizar o relatório das nossas andanças diárias: quem é que tinha passado com quem à porta de quem, a que horas, em que direcção e por aí fora... Fico com uma certa tristeza de sentir que estou a perder a ligação às origens, à terra da minha Mãe, dos meus Avós. A minha única razão para voltar é mesmo a minha Avó, que teima em não querer sair de casa dela mais tempo que o indispensável. Ir a Lisboa, só em visitinhas rápidas; a Faro, só veio uma vez. É claro que há sempre a beleza natural da zona, o apelo do campo e, pois concerteza, a minha adoração por travia. E como eu me abarrotei de travia este fim de semana! Acho mesmo que fiquei com uma overdose, o organismo ressente-se. Ou então foi das quatro viagens em quatro dias, a verdade é que estou espapassada. Acho que vou passar o estágio de sofá e atacar directamente o soninho de beleza, que amanhã é dia de voltar ao laboratório. A sério. catarinia @ 01:43
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