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23 janeiro, 2006ainda sobre as presidenciaisGosto das emissões especiais em noite de eleições. Acho piada ao guião das intervenções calculadas ao minuto, para ver quem é que fala em último lugar, e quem é que tira o protagonismo a quem. Aos discursos em que todos desenterram sempre um qualquer motivo de vitória e não há responsáveis pelas derrotas, ou se tentam atirar as culpas para o vizinho do lado. E às opiniões dos "so called" analistas políticos, essas então chegam a ser de chorar a rir. Como por exemplo ouvir o Marcelo Rebelo de Sousa a dizer que sempre achou que o Manuel Alegre seria um candidato mais forte que o Mário Soares, mesmo perigosíssimo numa eventual segunda volta, quando na verdade sempre disse o contrário, e precisamente uma semana depois de ter admitido que se tinha enganado nesse aspecto... Mas adiante. Eu sou mais uma pessoa de movimentos cívicos. Apesar de reconhecer os partidos políticos como fundamentais para o equilíbrio das sociedades, os aparelhos partidários e os interesses que os movem... Como hei-de dizer? Fazem-me espécie. De maneira que, depois de o meu candidato não ter chegado a vias de facto (ainda não foi desta que me calhou o bailarino cubano a que tenho direito) comecei a olhar com interesse para a candidatura de Manuel Alegre. Pareceu-me corajosa, íntegra, e mais importante, independente. E hoje verificou-se que foi um belo banho de cidadania. Não posso no entanto deixar de achar curiosas algumas das reações aos resultados. Estava tudo suspenso da guerra Soares/Alegre, à espera de ver quem ficava à frente. Foi o Alegre, e com uma diferença considerável. Logo, estava o jornalistame todo a querer ver sangue! Muito sangue!!! Foi uma festa quando a soutôra Ana Gomes vem deitar as culpas para cima do Manuel Alegre, como se fosse ele o responsável pela vitória do sô pessor, e dar a entender que tem de ir ao castigo. Depois vem o nosso Primeiro pôr-se a discursar ao mesmo tempo que o candidato rebelado, muito ao estilo «eu sou mais importante que tu, deixa cá roubar-te o tempo de antena, que ninguém te há-de ouvir nem a dizer que perdeste». E depois, ele próprio não tem responsabilidade nenhuma, claro. Não foi ele que convidou e depois desconvidou o senhor. Não foi ele que escolheu, do seu entendimento do mal menor, o candidato que o PS ía apoiar. E não foi esse mesmo candidato que fez uma campanha vergonhosa e arruaceira, do alto da sua provecta idade e experiência, que é tudo um posto já se sabe, e que por isso achou que podia fazer e dizer o que entendesse, que nada o atingia. O mesmo candidato que, como veio hoje a verificar-se, ficou arrumado à boxe com um resultadeco de trazer por casa. E não tem responsabilidade nenhuma porque as candidaturas à presidência são pessoais e não dos partidos. Como tal, não há quaisquer ilações nem consequências a tirar do facto de o PS ter tido aqui um autêntico acto falhado, e muito menos qualquer responsabilização do partido e do seu secretário-geral. Pois muito bem, então nesse caso, porque haveria o Manuel Alegre de ser responsabilizado? Pois eu, olhando para este imbróglio todo do lado de fora, se estivesse no lugar do secretário-geral do PS, era capaz de ficar assim um poucochinho envergonhada de sair à rua. E até era senhora de me pôr a pensar um bocadinho na situação e, concluindo que tinha dado o proverbial tiro no pé, decidir que não tinha cara de continuar à frente do partido, e ala que se faz tarde. Mas isso era eu. É claro que, uma vez que o secretário-geral do PS é também o Primeiro Ministro, fica tudo muito mais complicado. E complicações é coisa que ninguém quer. De maneira que, é de mim, ou estas eleições acabaram com o Partido Socialista? O PS do Mário Soares bem que estrebuchou, mas no fim resistiu à tentativa de reanimação e acabou de se finar. O PS de esquerda emancipou-se e saiu de casa à revelia. Resta o PS – Partido do Sócrates – que de socialista tem muito pouco, se é que alguma coisa. A mim o que me cheira é que o PS, Partido do Sócrates, que por acaso coincide com o Governo, se vai dar lindamente com o Presidente, sô pessor. Vão ser muito amiguinhos e não vai haver problema nenhum, porque afinal as diferenças são quase nenhumas. Até se podiam juntar todos o criar o GPTMFD, o Grande Partido do Tudo ao Molho e Fé em Deus. A minha dúvida prende-se com o filhote de esquerda. Será que tem capacidade para se manter por si só, ou volta a correr para casa dos pais e fica tudo na mesma? catarinia @ 02:23
Comentários
É claro que este PS actual de Sócrates e companhia se vai dar bem com o so pesso!!!aliás, a minha teoria pessoal, é que era isto mesmo que eles queriam, estar todos em família, por isso a candidatura, que já se sabia fraca, de Mário Soares e a dilaceração da esquerda por cinco candidatos diferentes! é assustador!!!! e dá vontade de me exilar durante os próximos cinco anos. Mais, tenho VERGONHA do presidente da republica portuguesa. Mas.. caros amigos, reunindo todos os votos de esquerda foram menos que os do so pesso!!! Por isso aguentem-se à bronca Tugas! foi isto que kiseram...... Afixado por Ana @ 23 janeiro 2006, 17:24 Pois claro! O poveco tem o que merece. Se bem que contando os brancos e os nulos, o sô pessor não foi eleito pela maioria das pessoas que foram votar... Afixado por catarinia @ 24 janeiro 2006, 16:18 Ora aí está! E depois eu ainda penso que sou pouco moderado e que por vezes me deixo levar a pensar na Teoria da Conspiração! Nestes dois post escreveste uma das principais razões porque sou monárquico, que é pelo facto de não ser Republicano (gostastes?) e visto ainda me faltarem uns aninhos para ser capaz de reunir um exército digno de Alexandre e tomar conta disto tudo... Afixado por Roma @ 1 fevereiro 2006, 21:06
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